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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Para busólogos cariocas, mais do mesmo é "novidade"

Estamos vivendo em dias de vacas magras na busologia carioca. Com a crise, as empresas tem renovado muito pouco. As que se dispõem a renovar, optam pelo mais do mesmo, que é mais barato e seguro.

Mas muitos busólogos cariocas tem espalhado para o mundo coisas como: "grades novidades", "grande renovação", "surpresas", etc. Como se comprar o mais do mesmo fosse "grande novidade". Comemorando algo que não traz nenhuma transformação, sequer estética, para o transporte.

É bom os busólogos cariocas se tornarem mais realistas e pararem de comemorar. Até porque o serviço na religião metropolitana do RJ tem piorado bastante, com a qualidade caindo vertiginosamente em todos os aspectos, graças a um festival de equívocos iniciados desde que os políticos resolveram brincar de donos de ônibus em 2010.

O transporte está uma merda e não existe novidade. Assumam.




domingo, 31 de agosto de 2014

Busólogos não focam qualidade operacional do transporte. Eles querem é o veículo

Busologia é um hobby. Hobby é como uma brincadeira, criada para divertir as pessoas. Ás vezes até informa, o que no caso da busologia se confirma bastante. Mas não pensem que os busólogos fazem questão que o transporte coletivo tenha boa qualidade de serviço.

Antes de explicar isso, aproveito para esclarecer que utilizo aqui a palavra "busólogo" por convenção. É o termo mais usado pelos mesmos, embora exista "busófilo". Busofilia seria o verdadeiro nome do hobby e Busologia seria uma "busofilia" mais técnica, focada no funcionamento do veículo e sua historiografia. Busófilo é o admirador de ônibus enquanto busólogo seria o estudioso em ônibus. Mas como se convencionou a usar "busólogo" nos dois sentidos, vamos utilizar o termo.

Para os busólogos, a parte operacional não é focalizada. para eles o que interessa é o veículo em si e suas características. Se ele irá servir bem suas linhas ou não é outro foco, verificado mais pelos usuários. Para os busólogo, ônibus é mais um objeto de admiração e muitos nem utilizam o transporte, chegando a ir de carro nos lugares onde vão fotografar os ônibus.

Não que não haja busólogos preocupados com o bom serviço dos sistemas de ônibus. Há, sim. Mas não é o foco da busologia. A preocupação com a parte operacional dos ônibus é na verdade um aspecto a parte, que não é inerente ao hobby.

Embora, para parecer bem às outras pessoas, muitos busólogos, quase todos, se assumam preocupados com a qualidade operacional, o que é desmentido nos comentários de muitos, que demonstram não entender o funcionamento operacional dos serviços de ônibus.

Espero ter esclarecido esse fato. Busólogo não tem a obrigação de querer qualidade de transporte. O cidadão usuário de ônibus é que deve exigir transporte melhor.

Busologia é um mero hobby. Para o busólogo, se o ônibus consegue ligar o motor e sair do seu lugar,  já é o básico. O resto é complemento.

sábado, 30 de agosto de 2014

Busólogos não focam qualidade do serviço

Um comentário visto no Facebook de um busólogo de outro estado me fez pensar e me inspirou a escrever esta postagem. Ele, ao comentar uma novidade disse que "o que importa é que o ônibus é bonito e pronto. O resto é detalhe." Não me lembro da frase exata e nem de que novidade ele estava comentando, mas a mensagem era essa mesmo. Vou poupar a identidade do busólogo em respeito ao mesmo.

Alguns outros busólogos estranharam o comentário, mas a maioria entendeu. E não deveria ser estranho, já que na busologia, o que interessa é o veículo em si, não a sua operação. Claro que existem alguns busólogos que se interessam pela parte operacional, mas isso não é atributo da busologia.

Claro que muitos busólogos, para angariarem simpatia, vão dizer que se preocupam sim com a qualidade dos serviços de operação. Mas vão se limitar a soluções prontas e estereotipadas como o BRT ou citar opiniões superficiais a respeito. Mas aprofundar mesmo sobre a operação dos ônibus, somente poucos.

Para a maioria dos busólogos, ônibus só serve mesmo para ser admirado. Muitos nem andam de ônibus, se limitando a tratar este topo de transporte como objeto de admiração, indo aos encontros de automóvel, o que eles fazem normalmente em seu cotidiano.

Por isso não é estranho que, por exemplo, a maioria não se incomode mais com a padronização visual, nome dado a colocação de uniforme nos ônibus, transformando os mesmos em "carros oficiais" de suas prefeituras, algo que vai contra a lei de licitações e antagoniza o atributo de concessão garantido pelas leis municipais, transformando os sistemas em uma encampação enrustida. Isso tem estimulado os empresários a cometer irregularidades, pois a uniformização favorece a ocultação da identidade. 

Para os busólogos, o que interessa é ônibus bonito e possante. Se o uniforme da prefeitura agrada, mantém-se o uniforme. Se o carro é articulado, motor traseiro, refrigerado, piso baixo e outras configurações avançadas, ele pode bater, pode pifar e travar no engarrafamento que está ótimo. Pode até fazer parte de empresas mal administradas (caso do ultra-pomposo e idolatrado BRT do RJ), que ninguém se importa. O que importa é ver ônibus bonito e de configuração avançada. O resto é "detalhe", como o outro diz.

Enfim, para a melhoria da operação e da qualidade de serviços, com a palavra, os usuários. Esses sim sabem melhor para que realmente serve um ônibus, não importando se ele é bonito ou possante.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Operação Fone de Ouvido sinaliza má qualidade da música atual

Várias cidades brasileiras já aprovaram leis que proíbem som aberto no interior dos ônibus, obrigando aos passageiros a utilização de fones de ouvido para a audição de suas músicas e programas.

Isso denuncia a existência de músicas de qualidade duvidosa e outras de qualidade sofrível que infectaram a cultura do Brasil e do mundo. Se todos tivessem o hábito de ouvir músicas realmente boas ou que pelo menos não seja tão ruins assim (como as "canções de consumo" dos anos 70 e 80), ainda dava para ouvir em aberto. Se bem que cada um talvez preferisse ouvir a sua música, sem atrapalhar a audição do outro.

A medida começou com o "funk" carioca, considerada por especialistas o pior tipo de música do mundo, caracterizada por instrumentais repetitivos que mais parecem barulhos de indústrias e letras mal feitas que parecem ter saídas de mentes vazias e sem qualquer noção da realidade que os rodeia.

Mas com o fortalecimento popularesco e a glamourização da "canção de consumo" norte-americana, a medida teve que ser tomada para evitar problemas entre os passageiros.

As empresas devem fazer a sua parte, eliminando a "música ambiente"

Mas não adianta as "leis dos fones de ouvido" se ainda existem os ônibus com "musica ambiente" em que o motorista - geralmente vindo das classes menos escolarizadas - coloca o que bem entende para que seja ouvido pelos passageiros do veículo conduzido por ele.

É preciso que se proíba também a música ambiente nos veículos para que a tranquilidade de uma viagem que normalmente não é tão tranquila, não acabe em aborrecimento para quem está dentro do veículo.

Quem quer ouvir música, ouça no fone, ou ouça em casa. É até mais agradável.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Busólogos não focam qualidade do serviço

Um comentário visto no Facebook de um busólogo de outro estado me fez pensar e me inspirou a escrever esta postagem. Ele, ao comentar uma novidade disse que "o que importa é que o ônibus é bonito e pronto. O resto é detalhe." Não me lembro da frase exata e nem de que novidade ele estava comentando, mas a mensagem era essa mesmo. Vou poupar a identidade do busólogo em respeito ao mesmo.

Alguns outros busólogos estranharam o comentário, mas a maioria entendeu. E não deveria ser estranho, já que na busologia, o que interessa é o veículo em si, não a sua operação. Claro que existem alguns busólogos que se interessam pela parte operacional, mas isso não é atributo da busologia.

Claro que muitos busólogos, para angariarem simpatia, vão dizer que se preocupam sim com a qualidade dos serviços de operação. Mas vão se limitar a soluções prontas e estereotipadas como o BRT ou citar opiniões superficiais a respeito. Mas aprofundar mesmo sobre a operação dos ônibus, somente poucos.

Para a maioria dos busólogos, ônibus só serve mesmo para ser admirado. Muitos nem andam de ônibus, se limitando a tratar este topo de transporte como objeto de admiração, indo aos encontros de automóvel, o que eles fazem normalmente em seu cotidiano.

Por isso não é estranho que, por exemplo, a maioria não se incomode mais com a padronização visual, nome dado a colocação de uniforme nos ônibus, transformando os mesmos em "carros oficiais" de suas prefeituras, algo que vai contra a lei de licitações e antagoniza o atributo de concessão garantido pelas leis municipais, transformando os sistemas em uma encampação enrustida. Isso tem estimulado os empresários a cometer irregularidades, pois a uniformização favorece a ocultação da identidade. 

Para os busólogos, o que interessa é ônibus bonito e possante. Se o uniforme da prefeitura agrada, mantém-se o uniforme. Se o carro é articulado, motor traseiro, refrigerado, piso baixo e outras configurações avançadas, ele pode bater, pode pifar e travar no engarrafamento que está ótimo. Pode até fazer parte de empresas mal administradas (caso do ultra-pomposo e idolatrado BRT do RJ), que ninguém se importa. O que importa é ver ônibus bonito e de configuração avançada. O resto é "detalhe", como o outro diz.

Enfim, para a melhoria da operação e da qualidade de serviços, com a palavra, os usuários. Esses sim sabem melhor para que realmente serve um ônibus, não importando se ele é bonito ou possante.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Trans1000: Boatos, boatos e nenhuma melhoria

NOSSO COMENTÁRIO: Admiradores e administração da Trans1000 viraram boateiros profissionais. Lançam inúmeras lendas para passar a falsa ideia de que a empresa ainda é uma das grandes. Negativo. A Trans1000 é a pior do Estado do Rio de Janeiro e o encerramento de suas atividades é um sinal de respeito ao ser humano, sobretudo quem é obrigado a trabalhar nela e quem é obrigado a usar os serviços dela.

BOATOS, BOATOS E NENHUMA MELHORIA
Por Fora Trans1000 - Ninguém aguenta mais

Infelizmente, a Transmil, nos últimos três anos, anda sendo alvo de muita boataria que não dá em coisa alguma. Pelo contrário, são apenas rumores de supostas melhorias que em nenhum momento viram verdade, sendo feitas só para fazer sensacionalismo nos debates sobre busologia.

O boato mais recente é de que o Grupo Flores estaria comprando, para a empresa, carros do modelo Comil Svelto. As informações são dadas de forma vaga, pois também há o indício de que o grupo empresarial de São João do Meriti estaria, na verdade, cedendo carros mais antigos do modelo, se caso a notícia tiver algum fundo de verdade.

A última novidade da empresa, a compra de aproximadamente 40 carros novos, na verdade se resumiu à aquisição de pouco mais de 20 carros semi-novos da Neobus Mega 2006, fabricados nesse mesmo ano, comprados da carioca Viação Pavunense.

A boataria foi divulgada até mesmo no jornal O Globo, divulgada por um assessor da Transmil, que havia dito que esperava a chegada dos "novos carros" dos "fornecedores". A novidade estava prevista para fevereiro de 2011, mas ela se realizou só em novembro do mesmo ano, e mesmo assim muito abaixo das expectativas.

Constantemente, circularam boatos de venda de linhas, de extinção da empresa, de compra de novos carros. Informações desencontradas, promessas mirabolantes, esperanças vãs. Enquanto isso, não há qualquer melhoria. Tudo fica na mesma. E quem perde é o passageiro.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Rodoviários fazem protesto contra "trabalho escravo" na porta de empresa de ônibus no Rio

Nosso comentário: A líder do consórcio Intersul mostra o exemplo de como o transporte do RJ piora cada vez mais e não só para os passageiros, mas também para os funcionários das empresas.

Rodoviários fazem protesto contra "trabalho escravo" na porta de empresa de ônibus no Rio

Do R7 | 05/11/2012 às 08h09 | Atualizado em: 05/11/2012 às 09h13

Eles trabalham em 22 linhas municipais nas zonas Norte, Sul e Centro da cidade.

Cerca de 800 motoristas e cobradores da Real Auto Ônibus, responsável por 22 linhas municipais nas zonas Norte, Sul e Centro do Rio, paralisaram as atividades nesta segunda-feira (5) para reivindicar melhores condições de trabalho. Com faixas e cartazes, os rodoviários iniciaram uma manifestação de madrugada na porta da garagem da empresa, na Vila do João, em Bonsucesso.

Segundo o Sintraturb (Sindicato dos Motoristas de Ônibus e Cobradores do Rio de Janeiro), o protesto foi deflagrado após inúmeras denúncias recebidas e encaminhadas ao MPT (Ministério Público do Trabalho) sobre carga horária abusiva imposta pela direção da Real Auto Ônibus. Ainda na manhã desta segunda os trabalhadores fazem uma assembléia na porta da empresa para decidir se interrompem o seviço por tempo indeterminado.

O vice-presidente do sindicato, Sebastião José, disse que a intenção dos manifestantes não é prejudicar os passageiros, por isso o movimento começoou ainda na madrugada.

— Estamos desde a madrugada tentando negociar com a empresa. Pedimos a compreensão dos usuários, mas é preciso que a população fique ciente do trabalho escravo imposto não só pela Viação Real, mas por todos as empresas do setor, que obrigam seus motoristas e cobradores a trabalhar até 15 horas diariamente, transformando esses profissionais em verdadeiros escravos; isso sem contar o agravante de colocarem em risco a vida dos usuários, já que os motoristas não dormem o suficiente. Queremos uma jornada decente de 6 horas para esses profissionais.

Sebastião informou ainda que em outubro o sindicato denunciou a Real Auto Ônibus ao MPT por várias práticas consideradas abusivas como obrigar o trabalhador a dobrar o serviço, sendo que quem se recusa é punido com a troca de linha e horário; exigir o transporte diário de 300 passageiros; descontar abusivamente avarias e multas dos ônibus, procedimento que é vetado pela nova lei que rege os motoristas, entre outras.

O R7 tenta contato com a direção da Real Auto Ônibus.

domingo, 2 de setembro de 2012

Entendendo as polêmicas entre os busólogos

Nota-se na busologia, sobretudo a carioca, um aumento na quantidade de brigas e confusões, muitas delas gerando inimizades e muita trolagem ofensiva e até danosa. Muita gente não entende como é que tantas brigas podem surgir de um hobby.

Analisei a questão, já que essas polêmicas ocorrem há muito tempo. Não tenho uma explicação definitiva, mas tenho uma hipótese bem provável. É uma boa justificativa, observada nas características de boa parte das polêmicas envolvendo busólogos.

O principal motivo para estas discussões está em relação ao serviços dos ônibus. Como sabemos, busólogos, na verdade, são admiradores e "estudiosos" (prefiro colocar aspas para destacar a relatividade deste significado) em ônibus. Para eles o que interessa são os veículos e seu funcionamento. 

Ou seja, o foco é direcionado para o veículo em si - principalmente em relação ao chassis - do que o sistema de linhas e a atuação destes veículos nelas. Um exemplo: um busólogo qualquer observa um ônibus e elogia o carro de acordo com a potência do motor, a resistência do chassis, o aspecto estético da distribuição de rodas, o encaixe da carroceria, ou aspectos puramente estéticos, etc. Se a linha por onde ele vai rodar é bem servida ou não, isso foge de seu interesse. Até porque muitos busólogos possuem automóvel, usando os ônibus apenas como objeto de admiração.

Muitas brigas ocorrem de acordo com os serviços, já que alguns busólogos passam também a focar os serviços, contrariando a maioria que, leiga neste aspecto, passa a defender incoerências a respeito de como as linhas devem ou não ser servidas.

Curiosos que as polêmicas quase sempre giram em torno de ônibus urbanos, já que há maior consenso entre os busólogos em relação aos serviços rodoviários.

Torcemos para que um consenso surja e que os busólogos que teimam em defender incoerências, usem melhor o discernimento e aprendam a ouvir as opiniões alheias, deixando de utilizar a busologia para fortalecer a vaidade pessoal, entendendo que quem entende melhor de ônibus, é o passageiro, que sofre todos os dias para pegar o seu transporte, conhecendo melhor que características devem ter os vepiculos que o servem, para garantir rapidez e conforto para o seu deslocamento.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A Trajetória sombria da Trans1000

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Esse texto é uma radiografia do que é a Transmil ou Trans1000, a pior empresa do Estado do Rio de Janeiro, uma verdadeira morta-viva que ainda insiste em rodar, apesar de suas muitas e intermináveis falhas. 

Uma empresa claramente mal administrada, que engana a população, faz seus próprios funcionários sofrerem e presta o pior serviço possível, mas é incrivelmente admirada por alguns busólogos que não tem o desprazer de depender dessa empresa para se deslocar. A Trans1000 já teve seu período de trégua e não se mancou. 

Agora, chega de boatos, chega de perdão: para a Trans1000 só resta a sua irrevogável extinção, doa a quem doer, pois na minha opinião, o bem estar dos passageiros e funcionários é o que interessa, mesmo que esse bem estar atrapalhe o interesse mesquinho de terceiros.

A TRAJETÓRIA SOMBRIA DA TRANSMIL

Por Alexandre Figueiredo

Moradores de Mesquita e Nilópolis, na Baixada Fluminense, vivem um drama interminável na hora de se deslocarem para o Rio de Janeiro ou de lá voltassem para suas cidades. Dependem unicamente de uma empresa que insiste em manter-se em circulação, mesmo com um péssimo serviço e uma frota velha e sucateada, apenas eventualmente reparada pelo esforço corajoso de funcionários mal-remunerados que tentam oferecer alguma dignidade para uma empresa mal-administrada.

Embora se diga que a Turismo Trans1000 Ltda., o nome jurídico de tal empresa, vive "sérios problemas financeiros", a empresa, na verdade, segue o mesmo gênero, de matizes tragicômicas, da "empresa pobre de empresários ricos". Mas isso, no caso da empresa sediada em Mesquita, esconde uma trajetória que inclui até mesmo uma tragédia.

Depois que a Turismo Transmil, que surgiu em 1981 de um desmembramento da antiga Transa - empresa que, mudando o registro do DETRO, migrou para Três Rios e é melhor administrada - , deixou de fazer parte do grupo Guanabara (do empresário Jacob Barata), a empresa ficou com quatro sócios.

O problema é que, em 19 de março de 2009, um deles, Luís Carlos Duarte Batista, o Carlinhos da Tinguá, foi assassinado num crime político. Ele era ligado tanto ao Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, quanto à política da Baixada Fluminense e até hoje os motivos do crime não foram ainda esclarecidos, embora alguns suspeitos tenham sido presos em maio de 2011.

A decadência da empresa se deu quando a última renovação de frota com carros vindos de fábrica foi em 2007, e mesmo assim com o tipo "midibus", ônibus de porte médio, mais baratos no mercado. Depois a empresa passou a substituir as frotas não mais com carros inéditos, e nem sequer com carros de segunda mão, mas com carros de terceira mão, geralmente de empresas cariocas ou de São Gonçalo que já integravam frotas de outras empresas da Baixada Fluminense.

Outras irregularidades também vieram à tona, como descumprimento de encargos trabalhistas, problemas nos registros de cada ônibus da frota - alguns circularam com problemas na documentação, e até mantendo a chapa com o crédito da cidade do Rio de Janeiro, correspondente ao da empresa anterior do veículo - e a demora na espera de um ônibus.

O DETRO, entidade ligada ao governo fluminense que se responsabiliza pelo transporte intermunicipal, se limita a apreender os ônibus e depois liberá-los. Mas em vez de impor sanções ou qualquer tipo de punição à empresa, fora as multas, ela é poupada, enquanto passageiros utilizam os ônibus da Transmil temendo por sua segurança.

Afinal, os ônibus rodam em alta velocidade com pneus carecas e parafusos quase soltos, indicados pelo fato de que os ônibus "sacolejam" pelas estradas enquanto correm. Num incidente, um ônibus da Transmil teve um dos pneus soltos num trecho da Av. Brasil. Em outro incidente, um ônibus circulou com problemas no freio, condição potencial para um trágico acidente.

Na melhor das hipóteses, o que ocorre é o enguiçamento do motor. Não há tragédia nem feridos, mas os passageiros se atrasam em seus compromissos, o que pode causar problemas na chegada ao trabalho, e muitos moradores de Nilópolis e Mesquita trabalham no Rio de Janeiro, e é difícil, num mercado instável que é o brasileiro, ser exemplar na sua profissão, porque apenas cumprir o horário não é suficiente para o patrão confiar no seu subordinado.

FÃ-CLUBE ESTRANHO

Além da estranha persistência de uma empresa cheia de irregularidades, cuja permanência na operação de suas linhas não é garantia de que a empresa vá sanar as supostas dificuldades financeiras - que, provavelmente, são resultantes da incompetência e improbidade administrativas de seus donos - , há o estranho fã-clube de uma minoria barulhenta de busólogos, fato compreensível apenas pelo contexto da atual busologia do Rio de Janeiro, que vive uma crise, tomada de uma minoria arrogante e caluniadora que defende medidas antipopulares e está movida por politicagem.

São busólogos que se irritam quando surge alguma campanha pelo fim da Turismo Transmil. Eles tentam dizer que "também entendem" os sofrimentos dos passageiros, mas mostram um nervosismo quando alguém diz que a Transmil deveria ter sido extinta faz tempo.

Fazem argumentações surreais. "A Transmil está com dificuldades...", é a mais comum. Mas, independente de quem torce ou não pela Transmil, o que se vê são boatos dos mais diversos tipos, desde informações sobre a suposta transferência de linhas como 003 e 005, que ligam Nilópolis e Mesquita, respectivamente, para o Rio de Janeiro, para outras empresas da Baixada Fluminense.

Uns chegam mesmo a dizer que a Transmil é "uma das melhores empresas da Baixada". Outros tentam fazer comentários invejosos contra empresas dotadas de frota de qualidade, como a Transportes Blanco e a Viação Caravele. Mas tudo o que se fala da Transmil não passa de "rádio-leão" - adaptação do termo sindical "rádio-peão", que significa "boato", na gíria busóloga - , e a empresa fica na mesma.

POLITICAGEM E PROMESSAS DE LICITAÇÃO

O problema mais grave é a politicagem que está em torno da Transmil, cujas irregularidades chegaram ao conhecimento da ALERJ. Um político do PP chegou mesmo a pegar carona na revolta da população de Nilópolis e cobrou do governo do Estado do Rio de Janeiro, meses atrás, alguma medida contra a deficitária empresa.

Aparentemente, o governador Sérgio Cabral Filho concordou com as denúncias e prometeu licitar as linhas que ligam a Baixada Fluminense e o Rio de Janeiro. Mas, além da promessa da adoção de uma padronização visual - praga que já incomoda os passageiros que usam as linhas municipais do Rio de Janeiro e Niterói - , a licitação pode fazer com a Transmil assim como a de Eduardo Paes fez com algumas empresas deficitárias.

Em outras palavras, a Transmil pode reassumir as mesmas linhas sob um outro nome. Ela poderá fazer alguns paliativos para fingir que "é uma empresa melhor", e, através da camisa de força de consórcios, poderá arrancar da empresa líder alguns carros semi-novos para dizer que "está renovando as frotas", carros que mais tarde ficarão sucateados por "falta de dinheiro" (a grana vai para os bolsos dos donos).

E, para piorar, será terrível ver a Transmil, na camuflagem visual do sistema Baixada X Rio, ter as mesmas cores da Flores, Mageli, Evanil, Caravele e Blanco. Isso será um grande desastre. E os passageiros serão mais uma vez tapeados. E, mesmo com um outro nome (ou seria pseudônimo?), a Transmil seguirá sua trajetória sombria maltratando os passageiros que só dependem dela para irem e virem no trajeto de Mesquita e Nilópolis (além de uma linha de Nova Iguaçu) para o Rio, rezando para que pelo menos voltem sãos, salvos e com o emprego mantido.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Pai do BRT é condenado por irregularidades

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: nem o pai dos BRTs escapou das acusações de corrupção. Os busólogos que veem nos BRTs o milagre que vai salvar o transporte brasileiro devem estar tristinhos, ainda mais que ontem foi o dia dos pais.

STJ mantém condenação de ex-governador Jaime Lerner

FOLHA DE SÃO PAULO - DO VALOR ONLINE - Atualizado às 17h34 - 12/08/11



O STJ (Superior Tribunal de Justiça) manteve decisão da Justiça Federal do Paraná que condenou o ex-governador do Estado, Jaime Lerner, a três anos e seis meses de detenção, mais multa, pelo crime de dispensa ilegal de licitação na construção de estradas em seu Estado.

Apesar da decisão, o ex-governador está livre do processo: menos de um mês antes do julgamento do pedido pelo STJ, o juiz de primeira instância reconheceu que o crime já havia sido atingido pela prescrição e declarou extinta a punibilidade no caso.

Lerner foi condenado em razão de um aditivo contratual que estendeu a concessão obtida pela empresa Caminhos do Paraná S/A em 80 km, incluindo trechos da BR-476 e PR-427 não previstos na licitação original.

A rodovia federal estava delegada ao Estado do Paraná por meio de convênio.

Segundo a denúncia, o aditivo teria sido iniciado por proposta da empresa para o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Essa proposta teria sido protocolada no DER (Departamento de Estradas de Rodagem) do Paraná um dia antes da assinatura do termo aditivo.

Todo o trâmite teria ocorrido em "tempo recorde".

A condenação remete à segunda gestão de Lerner no governo paranaense. Eleito em 1994 pelo PDT, o governador foi à reeleição pelo PFL (hoje DEM).

Obteve êxito e ocupou o cargo até 2002. Antes, havia sido prefeito nomeado de Curitiba pela antiga Arena por duas vezes, em 1971 e 1979.

Em 1988, se elegeu pela terceira vez, já no PDT. Urbanista renomado, Lerner foi o único brasileiro a constar na lista dos 25 pensadores mais influentes da revista "Times", em 2010. É também consultor das Nações Unidas para assuntos de urbanismo.

DEFESA

A defesa do ex-governador argumentou que, em razão de o réu ter mais de 70 anos, teria ocorrido prescrição.

A denúncia do Ministério Público também seria nula por não descrever as condutas individuais dos acusados, impedindo o contraditório.

PRESCRIÇÃO

O juiz substituto da 3ª Vara Federal Criminal de Curitiba declarou extinta a punibilidade em relação a Jaime Lerner, em razão da prescrição. Segundo ele, a pena aplicada ao ex-governador foi de três anos e seis meses, portanto o prazo prescricional seria de oito anos. Como o réu já tem mais de 70 anos de idade, o prazo é reduzido à metade - quatro anos -, conforme determina o Código Penal.

O juiz assinalou que o fato criminoso atribuído ao ex-governador ocorreu em outubro de 2002 e a denúncia, que interrompe a prescrição, foi recebida em 22 de outubro de 2008. Assim, considerou o magistrado de primeira instância, entre a data do fato delituoso e o recebimento da denúncia, transcorreu período superior a quatro anos sem que mais nada interrompesse a prescrição.

O Ministério Público ainda pode recorrer da decisão.

domingo, 3 de abril de 2011

Porque nunca vou aos encontros de busólogos

Muitos busólogos devem estranhar nunca terem me visto presente em algum encontro. Alguns devem até pensar que eu sou fake ou mau-caráter. Não sou. Aliás, o fato de eu não ser já é mais um motivo para eu não ir a esses encontros.

Não vou, por falta de confiança. Sim, não confio em grande parte dos busólogos. Sei que existe muita polêmica entre eles e que a boa parte é composta de pessoas que nunca conseguem entender pontos de vista diferentes do seu. Pior, muitos nunca admitem que estão errados quando realmente estão. O que era para ser um divertimento se tornou motivo de arrogância entre a maior parte.

Já me envolvi em vários episódios desagradáveis com busólogos teimosos. Vou poupar o nome deles - até porque temo pela minha vida: não está escrito na testa deles o que eles são capazes de fazer comigo - , mas muitos possuem grande visibilidade e muitos amigos que podem defendê-los, mesmo sabendo que os busólogos encrenqueiros são gente de índole duvidosa.

Mas existe também o lado bom da busologia. Tenho vários amigos nesse hobby, que realmente demonstraram serem pessoas de bem: Leonardo Ivo, Marcelo Pierre, Zé "Zebuss" Ricardo, Saulo Scoponi, Vitor Hugo Pereira e vários baianos, além de alguns no RJ que no momento eu não me lembro. Se apenas esses fossem, teria o maior prazer de ir aos encontros.

Mas muitos, não todos: é bom dizer - na ânsia de transformar o hobby em negócio e de promover a sua auto-estima às custas dele, acabam por gerar encrencas com vários outros busólogos - essas coisas não acontecem só comigo - e manchando a sua imagem, apesar de não diminuir e muitos menos eliminar a arrogância. A teimosia é o maior obstáculo para o aprendizado.

Portanto, peço desculpas por nunca ter participado de qualquer encontro e digo que não participarei. Não confio na maior parte dos busólogos e sobretudo em quem já se confirmou ser de má índole. Lamento muito que estes de má índole ainda conseguem manter muitos amigos, que não possuem boa noção do que é moral e bons modos (a noção de moral que eles têm deve vir dos hipnotizantes aparelhos de TV, pensando deste modo: "maltratou todo mundo, mas não me maltratou, é meu amigo") e poder na busologia.

Não sou arrogante. Sou uma pessoa pacata, que não gosta de noitadas, bagunça, barulho e faço de tudo para não me meter em encrencas. Brigo só quando me atacam, para me defender e mesmo assim, sem gostar disso. Não bebo, não fumo, e a minha droga mais pesada é doce de leite, meu único vício. Pago sempre as contas em dia e procuro sempre cuidar bem dos objetos que me emprestam ou me alugam. Sou daqueles que acreditam que a felicidade está nas coisas mais simples. Posso até ser rotulado de carola, careta, idiota, mas é assim que me sinto bem.

Pois nunca trago problemas graves para mim e felizmente não tenho dívidas de quaisquer tipos. Sou um cara altruísta e pronto para ajudar quem for, quando necessário.

Portanto, entendam minha posição, me respeitem e façam das suas vidas o que melhor entenderem.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Busologia Carneirinho

Pelo jeito, agora que a padronização visual se estabilizou na capital fluminense, trazendo na mochila um festival de erros, pode se dizer que aquilo que eu acreditava ser o verdadeiro objetivo da padronização visual se confirmou: mascarar os erros e dificultar a identificação das empresas. Os erros do novo sistema não param de acontecer e estão deixando os usuários furiosos. E pelo jeito, apenas os usuários.

Aos poucos a maioria dos busólogos vai criando afeto pelo novo sistema, que tem a fachada de "muderno" e só agrada a quem não utiliza o transporte coletivo. Há até a proibição de xingar prefeito e secretário de transportes, o que leva a crer que além de verem o sistema de longe (aterro sanitário, cheio de cores, é até bonito visto de longe), sem utilizar, os busólogos devem estar de olho em algum cargo de confiança bancado pelo prefeito e seu secretário. Coisa feia.

Há alguns busólogos, que como eu, Alexandre Figueiredo, Leonardo Ivo, Marcelo Pierre, e outros poucos, ainda se mantém irredutíveis contra o novo sistema que pelo jeito surgiu para mudar o time que estava ganhando e estragar a jogada do novo time formado. Mas a maioria dos busólogos, aos poucos aplaude o novo sistema alegremente e ainda exige respeito.

Como vou respeitar quem não respeita o usuário? Devo aceitar os erros como estão? Algum desses busólogos-carneirinhos deveria repor o meu dinheiro gasto com um ônibus pego por engano, graças a essa padronização ridícula.

Os defensores do novo sistema falam que os detratores da padronização "só enxergam os aspectos estéticos". Mas as falhas do novo sistema e a inclusão das empresas reprovadas, disfarçadas com novos nomes mostram que padronizar a pintura é uma ótima forma de mostrar que as coisas vão bem nas aparências, quando a realidade mostra que na verdade está o oposto.

Mas como a maioria desses busólogos - espertamente - não anda de ônibus (veículo que , na opinião de vários deles, só serve para admirar), não estão nem aí para as falhas. Quem paga por isso é o usuário, já que os mais indefesos é que ficam com a pior fatia do bolo.

Os busólogos devem estar pensando em dois provérbios: "pimenta nos olhos dos outros é refresco" e "farinha pouca, meu pirão primeiro".

Teremos muitos candidatos a novo secretário de transportes para os próximos anos...